Voltar 28 de Setembro de 2021
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O diferencial da conquista do selo de indicação de origem

Exemplos da banana de Corupá e dos doces de Pelotas valorizam a história e a cultura produtiva

A valorização de um produto pelo seu resgate histórico, cultural e de valorização a quem produz é destacado em dois exemplos vindos de produtores e empreendedores de duas cidades distintas do Sul do Brasil, a partir da conquista de selo de indicação geográfica. Esse referencial garantiu um diferencial aos produtos oferecidos no mercado.

As histórias da Associação de Bananicultores de Corupá, em Santa Catarina, e da Associação de Produtores de Doces de Pelotas, no Rio Grande do Sul foram apresentadas no evento online Cidades que se Reinventam, sob o tema: “Indicações Geográficas – um processo de reconhecimento econômico e cultural”.

No pequeno município de Corupá, na região Nordeste de Santa Catarina, 500 famílias de agricultores mantém uma tradição de 114 anos, por meio do cultivo da banana. Em meio a um terreno extremamente acidentado, cheio de morros, esses produtores se dedicam para levar ao mercado uma conquista que engrandeceu a produção, resgatou o orgulho e criou atrativos turísticos para a cidade.

A diretora-executiva da Associação de Bananicultures de Corupá (Asbanco), Eliane Müller, contou que os bananicultores buscavam um diferencial para valorizar a banana produzida no mercado, principalmente para reduzir as perdas por causa dos atravessadores, que ficavam com a maior parte dos rendimentos.

Uma observação feita por um pesquisador da Costa Rica que chamou a atenção dos bananicultores catarinenses. Num encontro técnico sobre o tema, ele disse aos integrantes da entidade que a banana cultivada em Corupá era a mais doce do Brasil.

A razão disso se deve ao clima mais frio, em comparação a outras regiões de produção, que favorece o acúmulo de amido e a maior quantidade de açúcar natural na fruta.

A descoberta motivou os bananicultores. Via associação, eles foram em busca de oficializar esse diferencial. Assim, foi iniciado o processo de obtenção de obtenção do selo de Identificação Geográfica.

Com ajuda de instituições de pesquisa agrícolas, educacionais e técnicas foi verificado que além de Corupá, outros municípios vizinhos também cultivavam a banana com essa característica. Assim, em 2018, foi oficializada para a Asbanco a Denominação de Origem da Banana da Região de Corupá. Para destacar essa conquista foi criado o slogan “Doce Por Natureza”.

“Essa indicação geográfica foi uma estratégia de valorização não só de um produto que é muito consumido pelos brasileiros e serve de desenvolvimento regional e territorial.  Essa conquista não é apenas um selo, ela representa uma herança de trabalho, vinculada à história, tradição, cultura e um ambiente de saber fazer”, reforça Eliane.  

O efeito fez com que a cidade de Corupá usasse a banana como um produto turístico de relevância. A fruta é motivo para realização de eventos esportivos, festivos, gastronômicos, educativos, culturais e movimenta a economia com a produção de doces e outros derivados da banana.

Doce tradicional

A mesma mobilização para agregar valor a um produto histórico é registada na cidade gaúcha de Pelotas. Desde o início do século 19 carrega a tradição doceira na cultura local, o que garantiu para o município o título de Capital Nacional do Doce.

Essa conquista é creditada pelo selo de identificação de procedência, com o nome Doce de Pelotas, oficializado em 2011. São 14 doces diferenciados, classificados com essa identificação de origem.

A presidente da Associação dos Produtores dos Doces de Pelotas, Simone Maciel Jara Bica, destacou na sua apresentação no evento que os associados seguem um processo de produção rigorosa, por meio de um código de rastreamento contido no selo, o qual é possível identificar os ingredientes usados, onde foram comprados e características do processamento. Tudo para manter a qualidade de uma tradição de 200 anos.

“Cabe a associação fazer o controle administrativo da documentação das empresas produtoras, com pareceres técnicos e provas microbiológicas dos doces. A associação certifica o controle feito por um conselho curador do processo”, explicou a presidente da entidade.

A mobilização para a conquistas do selo também envolveu instituições técnicas e educacionais que prestam consultoria aos associados. Além disso, o município se envolveu no processo, porque tem o retorno de reconhecimento nacional e atrativo turístico, com a realização de festividades e difusão deste diferencial de mercado.

A tradição doceira de Pelotas foi oficializada em 2018 como patrimônio imaterial do Brasil. “A economia não está só no doce, mas numa grande fatia da história da cidade, tendo mulheres empreendedoras fazendo esses trabalhos, gerando emprego e renda. Nós nos reinventamos todos os dias para que essa tradição se engrandeça cada vez mais”, destacou Simone.

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